Acabou mais uma novela!
Antes eu odiava novelas. Só que nunca odiei, assim, mudar de canal, coisa e tal. Era mais raiva da mesmice. Nada pior que a mesma história, o mesmo enredo, e até os mesmos lugares (pasmem!).
Quando eu era mais nova, a parte que eu mais gostava era dos finais. Adorava fim de novela, porque os mocinhos se davam bem e os vilões não. Para quem nem sabia o nome do personagem principal, não fazia muita diferença.
Agora eu presto mais atenção a tudo. E esse tudo evita que eu acompanhe a maioria das histórias. Há tanta repetição, que, convenhamos, acaba fazendo os telespectadores adivinharem o que as personagens falam.
Mas confesso que me surpreendi com A Favorita. Finalmente uma novela das 9 que prestou! Os caras nem precisaram fazer tanto pampeiro, tanta propaganda. Simplesmente jogaram o que seria principal na trama: quem estaria falando a verdade? Flora ou Donatela?
Isso já foi uma inovação. Imagina só, você não saber quem é vilã e quem é boazinha. E isso definir os rumos de uma trama inteira! Saibam que fiquei super ansiosa para saber quem estava falando a verdade. Pela primeira vez uma trama me atraiu por inovação.
Tá que na abertura tocava um tango, mas o recheio era música sertaneja que não acabou mais. O tango não teve muuuito espaço na primeira fase, o que me deixou meio deprê. Sorte que na segunda se lembraram, e em qualquer momento de drama…
Ao longo da trama foi-se perdendo o brilho, mas não se deixou de ser interessante. Vibrei com os olés da Flora na Donatela na primeira fase, e fiquei bege ao ver que na verdade a Flora tinha matado mesmo o Marcelo. Claro que me senti traída ao estar torcendo para a pessoa errada.
A segunda fase foi aquela aflição: só a Flora se dava bem, parecia que ela pensava mais que o elenco inteiro da novela. Ou seja, ela só manteve a mesma estratégia, continuou sendo ela mesma. Aí está uma das graças da história. Se repararmos, não houve mudança mudando-se tudo.
As histórias paralelas são criativas em si. Retratos de vidas que poderiam ser as nossas, apesar de sua distância com a história principal. Confesso que torci para que a Catarina ficasse com a Stela, mas me conformo com a viagem no final. Adorei estas duas personagens, lembrou-me uma pá de coisas e me deu uma pá de ideias.
O final não me decepcionou: mesmo presa, a Flora ainda marcava a cabeça da Donatela. Meio que Rebecca, saca? Aliás, a Flora tinha problemas mentais, e muita carência afetiva. Identifiquei-me com ela nessa parte e me deu um dozinho… só que ela matou tanta gente, que não sei como ainda sobrou elenco!
por Renata Garcia | 31.01.2009 | 11h36min










